Saúde em
Praia Grande
- O Hospital Municipal Irmã Dulce - da Secretaria de Saúde Pública de Praia Grande e gerenciado pela Fundação do ABC (FuABC), realizou a primeira captação de órgãos de doador falecido. A doadora foi uma moradora de 58 anos, que em vida avisou familiares sobre o desejo de doar seus órgãos. Foram doados fígado, rins - que seguiram para o Hospital das Clínicas, de São Paulo - e córneas, que foram para a Santa Casa de Santos.
Com a confirmação da morte cerebral na última quarta-feira (24), a família da paciente decidiu cumprir seu desejo, autorizando formalmente o procedimento junto à Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Escola Paulista de Medicina, da FuABC.
Realizada no Centro Cirúrgico às 5h30 de quinta-feira (25), a operação durou quase três horas e foi considerada um "sucesso" pela equipe do hospital. "De três a cinco pessoas, que aguardavam transplantes puderam ser beneficiadas com essa doação", informa o chefe de Enfermagem do Irmã Dulce, Adilson Teixeira.
A enfermeira coordenadora da UTI Adulto, Eliza Maria Prado Monteiro, acompanhou o processo desde o início, quando fez a notificação compulsória à OPO sobre o quadro da paciente internada na unidade, que evoluiu para morte cerebral, até a cirurgia. "Tudo transcorreu bem porque houve o envolvimento dos profissionais e da equipe multidisciplinar. A forma de abordagem da família neste momento é fundamental e foi correta, respeitosa e sensível", opina.
Médicos compareceram ao Irmã Dulce para confirmar o diagnóstico de morte cerebral na tarde de quarta-feira (24). A equipe da OPO avaliou a doadora com base na história clínica, antecedentes médicos e vários exames, como os laboratoriais, checando a viabilidade dos órgãos e providenciando sorologia para detecção de doenças infecciosas. A família foi consultada sobre a doação, recebendo informações específicas das equipes, com apoio da psicóloga Vanessa Bizzo, da Comissão de Humanização do hospital.
Com a autorização da família, a Central de Transplantes foi informada e os órgãos da doadora captados no Centro Cirúrgico. A busca por prováveis receptores foi feita pela central dentro de critérios estabelecidos no País (Leis Federais nº 9.434 e nº 10.211), mediante informações da OPO e exames de compatibilidade.
A coordenadora geral do Irmã Dulce, Márcia Diogo, que fez treinamento sobre captação de órgãos no Hospital do Rim (SP) quando trabalhava no Hospital de Ensino Anchieta (em São Bernardo), observa que todas as necessidades da OPO foram atendidas, colocando-se à disposição até transporte aéreo, que não foi necessário.
Como regra, a identidade dos receptores é mantida em sigilo. a família preferiu não se manifestar no momento, ainda muito abalada com a perda, mas poderá dar declarações na próxima semana. |