
Prefeitura inicia ação educativa de prevenção a gravidez precoce. Foto: Edmilson Lelo
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Educação em
Praia Grande
- O Governo do Estado divulgou que a partir de outubro adolescentes de 3,6 mil escolas de ensino médio da rede pública de São Paulo terão oficinas sobre gravidez na adolescência, medida que faz parte de um programa sobre sexualidade. Mas em Praia Grande, isso já é uma realidade. Desde o ano passado, o Centro de Testagem, Aconselhamento e Prevenção (CTAP), órgão da Secretaria de Saúde Pública (Sesap), desenvolve o projeto "Sexualidade na Adolescência", em parceria com a Secretaria de Educação (Seduc) em escolas municipais.
Até o momento, já foram acessados 3.558 adolescentes, além dos pais, também envolvidos pelo projeto, como explica a coordenadora da Equipe de Prevenção do CTAP, Letícia Zampieri Demarco Lázaro. Atualmente, a ação beneficia alunos da Escola Municipal Elza Oliveira de Carvalho, no Bairro Ribeirópolis.
Dúvidas antes sussurradas pelos corredores ou fora do portão de entrada da escola hoje são debatidas pelos adolescentes em sala de aula. Lançado pelo Programa Municipal DST/Aids/Hepatite, as intervenções educativas abordam não apenas a sexualidade de uma forma mais abrangente, como também gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como Aids e Hepatites. A ação se completa com vacinação contra Hepatite B.
A iniciativa abre espaço para a discussão de um tema polêmico, que chega a ser tabu dentro de algumas famílias. Apresenta informações e, ao mesmo tempo, integra profissionais que lidam com adolescentes para um maior acolhimento nos serviços públicos, como na rede básica de saúde, e na disponibilização de preservativos, por exemplo.
Dinâmicas - Iniciado em agosto com a capacitação "Sexualidade na Adolescência - Responsabilidade de Todos", voltada a funcionários de escolas e unidades de saúde, o projeto funciona dentro de um cronograma pré-estabelecido. Cada classe recebe a visita de monitores da Equipe de Prevenção do CTAP, que abordam o tema numa linguagem especial voltada à faixa etária e com uma dinâmica diferenciada. Os alunos podem fazer perguntas e expor opiniões sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids, gravidez precoce, uso de preservativos, métodos anticoncepcionais, mudanças hormonais e outros assuntos.
"Percebemos que o adolescente conhece sobre as doenças e o HIV, porém, nem sempre tem espaço para falar da sexualidade, de situações que ele vive, e não sabe como trocar isso com o mundo adulto, que, infelizmente, ainda tem os olhos e os ouvidos fechados para essa questão", afirma a coordenadora do Programa DST/Aids/Hepatites, Dorian Rojas, que é psicóloga. "Estamos indo às escolas para, nas classes, abrir esse espaço junto aos profissionais de prevenção."
Dorian acredita que o fato de ir até o jovem, dentro de seu meio, estimula a interatividade. "Eles estão reunidos com aquele grupo que convivem diariamente. A dúvida de um ajuda a esclarecer a do outro. Conhecendo, ampliando e conversando, o jovem pode se prevenir", prossegue.
Saúde - Outro diferencial é que a sexualidade vem sendo trabalhada "numa linha de saúde, não de doença", como acentua a coordenadora. "Queremos fazê-los refletir que liberdade é melhor com responsabilidade, perspectiva de vida e de projeto. Entendendo isso, eles não se arriscarão em relações em que podem ser contaminados ou numa gravidez não planejada."
Momento de descobertas, conflitos e medos, a adolescência pode ser vivida positivamente se os jovens aprenderem a se conhecer e compreender as transformações que ocorrem em seu corpo na chamada puberdade, o que traz respeito e eleva a auto-estima.
"Eles passam a ver que é um processo próprio da idade e individual. E, nós, adultos, temos de parar com aquela idéia de colocar o jovem numa caixinha, como se todos fossem iguais. Cada um pode transmitir sua vivência e experiência", observa Dorian Rojas. "Queremos dar espaço para que ele lide com suas dúvidas, se perceba e se valorize, tendo mais preparo para as relações afetivas."
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